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Bagaço da cana da região de Rio Preto, SP, gera energia suficiente para três anos

A obtenção de energia elétrica a partir da cana é forte no Noroeste Paulista e a tendência é de crescimento nos próximos anos, uma vez que 80% da produção agrícola regional é de cana-de-açúcar, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)


Publicado em: 30/03/2022 às 11:50hs

Bagaço da cana da região de Rio Preto, SP, gera energia suficiente para três anos

A produção de energia a partir do bagaço da cana-de-açúcar das usinas da região de Rio Preto, SP, é capaz de abastecer 840 mil residências no ano, de acordo com estimativa da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). Além de mais limpa, a bioenergia a partir do bagaço é mais barata.

A obtenção de energia elétrica a partir da cana é forte no Noroeste Paulista e a tendência é de crescimento nos próximos anos, uma vez que 80% da produção agrícola regional é de cana-de-açúcar, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Uma pesquisa da Fundação Seade, divulgada no jornal Diário da Região, aponta a região de Rio Preto como a maior produtora de cana-de-açúcar e etanol do Estado de São Paulo.

"Em 2021, a geração de bioeletricidade sucroenergética no País foi de 20,2 mil gigawatt-hora (GWh). Estimativa aponta que, desse total, a região de Rio Preto gerou 1,6 mil GWh. Isso representa que a região gerou, em um ano, energia elétrica capaz de atender o consumo residencial de Rio Preto durante três anos ou 840 mil unidades consumidoras no ano inteiro", afirmou o gerente de bioeletricidade da Unica, Zilmar Souza ao Diário da Região.

Expectativa de aumento da capacidade

A região Noroeste Paulista, até 2020, contava com 33 usinas sucroenergéticas geradoras de bioenergia. O investimento no setor também se traduziu na busca por mão de obra qualificada.Ao todo, as usinas de cana-de-açúcar são responsáveis por cerca de 7,4 mil trabalhos formais no Noroeste Paulista.

O Grupo de Tereos, que tem cinco usinas -- Olímpia, Severínia, Tanabi, Guaraci e Guaíra -- pretende aumentar sua capacidade de produção nos próximos anos. De acordo com o gerente comercial de energia da Tereos, Samuel Custodio de Oliveira para o Diário da Região, o grupo tem investido fortemente em projetos de eficiência energética com o objetivo de disponibilizar mais bagaço para cogeração de energia.

"Sabemos da importância da geração de energia renovável para a sustentabilidade do setor e do país como um todo. No ranking local de grupos sucroenergéticos que atuam na cogeração de energia, a Tereos passou a ocupar, em 2017, o terceiro lugar, sendo que a maior parte das vendas é direcionada para o mercado regulado", afirmou Oliveira.

A Cofco Internacional também pretende expandir a produção de bioeletricidade para outras três unidades. "Se o plano for executado integralmente, a expansão será de 70% do montante atual. Atualmente, nossas unidades de Catanduva, Potirendaba, Sebastianópolis do Sul e Meridiano já operam comercialmente e geram energia capaz de abastecer 215 mil residências", disse o diretor de operações da Cofco Internacional, Luis Marcelo Spadotto.

A estimativa da Unica mostra que em 2020 a geração de bioeletricidade a partir da cana tenha evitado adicionalmente a emissão de 6,3 milhões de toneladas de CO2, marca que somente seria atingida com o cultivo de 44 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos. "Significa ter poupado 14% da energia das usinas hidrelétricas. É uma geração que tem um potencial para crescer ainda mais", afirmou o gerente de bioeletricidade da Unica.

Só para se ter uma ideia, no Brasil, a geração de bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar abasteceu 4% do consumo brasileiro em 2021.