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Etanol deve ser mais rentável que açúcar em 2022/23, diz Pecege

A perspectiva da casa de análise é de que o preço médio do etanol anidro, que já atingiu patamares recorde na safra atual, deve subir mais 8,7%, passando de R$ 3,67 o litro na safra atual, em média, para R$ 3,99 o litro na próxima


Publicado em: 21/01/2022 às 11:10hs

Etanol deve ser mais rentável que açúcar em 2022/23, diz Pecege

A consultoria Pecege, sediada em Piracicaba (SP), estima que os preços do etanol devem continuar subindo na próxima safra do Centro-Sul (2022/23), amparados no cenário que indica aumento de cotações no mercado de combustíveis. Com isso, diz a empresa, o etanol anidro (aditivo da gasolina) deve oferecer uma remuneração melhor do que o açúcar no próximo ciclo.

A perspectiva da casa de análise é de que o preço médio do etanol anidro, que já atingiu patamares recorde na safra atual, deve subir mais 8,7%, passando de R$ 3,67 o litro na safra atual, em média, para R$ 3,99 o litro na próxima.

O etanol hidratado, que abastece diretamente os tanques, também deve subir, alcançando média de R$ 3,43 o litro no próximo ciclo, valor 5,9% superior ao preço médio esperado para a safra atual (R$ 3,24 o litro). O cenário de alta para o mercado do biocombustível, diz a consultoria, está assentado na perspectiva de aumento das cotações do petróleo, que ganharam impulso nas últimas sessões.

Para o mercado do açúcar, a perspectiva do Pecege é de que os preços do açúcar subirão mais no mercado interno, enquanto os valores do produto destinado à exportação devem se manter estáveis. A projeção é de que o preço médio do açúcar cristal subirá 14,5% no país, passando de R$ 121,69 a saca de 50 quilos na safra atual para R$ 139,29 a saca na próxima temporada. Para exportação, a expectativa é que o preço de embarque do açúcar VHP fique em R$ 101,86 a saca de 50 quilos, pouco acima dos R$ 101,82 a saca deste ciclo.

A projeção considera um cenário de queda dos preços internacionais do açúcar demerara na bolsa de Nova York para valores abaixo de 18 centavos de dólar a libra-peso ao menos até janeiro de 2023. Nas últimas semanas, as cotações já vêm em queda e acumulam retração de quase 4% desde o fim do ano passado.

"Entre os fatores determinantes para o recuo de preços neste mercado, podemos citar as boas perspectivas para a produção do adoçante no Brasil, Índia e Tailândia, garantindo uma boa oferta do produto durante o primeiro semestre de 2022", indicou o Pecege, em relatório.

No momento, o açúcar VHP oferece um prêmio em relação ao etanol, mas a consultoria estima que, com os preços projetados, essa relação vai se inverter a partir de abril e se aprofundará a partir de julho.

Com base nos preços previstos, o Pecege estima que a remuneração aos fornecedores de cana, ponderada pelos valores de açúcar e etanol, subirá 5% em relação à safra atual --- próximo da inflação esperada para o período ---, para R$ 1,287 o quilo do Açúcar Total Recuperável (ATR).

Caso a previsão se confirme, será uma desaceleração após a forte alta do custo da matéria-prima nesta safra, que deve subir 57% em comparação com a safra passada, para R$ 1,2254 o quilo do ATR, acredita a consultoria. Esse é o maior valor real em dez anos.

Fonte: AGÊNCIA UDOP

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