Pragas e Doenças

“Com o PROCAGICA voltamos a nos erguer”: José Amílcar García, produtor de café de Honduras

Por anos, a ferrugem prejudicou todo o seu lote, mas hoje ele está seguindo adiante com o oportuno apoio desse programa da União Europeia e do IICA.


Publicado em: 12/05/2021 às 09:20hs

“Com o PROCAGICA voltamos a nos erguer”: José Amílcar García, produtor de café de Honduras

José Amílcar García Vásquez é um cafeicultor que acredita nas associações e, sendo assim, tem desfrutado dos benefícios oferecidos pelo Programa Centro-Americano de Gestão Integral da Ferrugem do Café (PROCAGICA), promovido na região pela União Europeia (UE) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

“Quero que o sucesso do outro seja também o meu”, afirmou. “Para nós, o PROCAGICA representa uma grande realização, um grande apoio para os nossos lotes, sinto-me satisfeito e muito agradecido porque sentimos e vemos essa decolagem e as realizações no lote de café”, disse García durante uma visita à sua propriedade.

Em 2016, ele conseguiu ingressar no programa como membro de uma caixa rural do setor e da Associação CAFESA, da qual é dirigente. Com aproximadamente 70 parceiros, a caixa rural conseguiu financiamento e capacitação, com o apoio do PROCAGICA, para produtores de café afetados pela praga da ferrugem nos municípios de Marcala, Chinacla, São José e Santa Maria.

“Nós conseguimos nos organizar e alcançamos melhores preços para o café, pois estamos dentro do comércio justo na produção de café orgânico e, graças a isso, alcançamos outros preços que o mercado convencional não oferece, nem os mesmos intermediários, pois segue direto para o mercado, e isso foi alcançado graças à associação”, manifestou.

Amílcar García tem um lote de 1,4 quarteirões (0,98 ha) que o programa selecionou como Propriedade Modelo. Ela está localizada na comunidade de Camalote, no município de Santa Maria, departamento de La Paz, Honduras.

Para a boa manutenção das propriedades, os participantes aprenderam a fazer um bom uso dos materiais com os quais contam dentro das comunidades, como o esterco, utilizado para misturar com o adubo que receberam do PROCAGICA, pois um fertilizante orgânico “tem maior efetividade”, segundo García.

Resultados na produção

José Amílcar García relatou que, antes de receber o apoio do programa, colhia apenas entre 15 e 20 quintais de grãos frescos de café por quarteirão de terra em sua propriedade rural, e às vezes apenas 10 quintais de grãos frescos. 

Com a assistência técnica, os insumos e as ferramentas proporcionadas, agora obtém cerca de 80 quintais de grãos frescos por quarteirão, com um café de alta qualidade, segundo os estudos realizados por técnicos.

“Colhemos todo o café, depois, fazemos a poda e regulamos a sombra, para que a praga não seja fixada. Isso é bom para nós e para todo o setor cafeeiro. Nós nos sentimos agradecidos pelo que fizeram conosco e com nossas propriedades de café, como donos de uma propriedade modelo, estamos orgulhosos”, afirmou.

Acrescentou que várias comissões visitaram a sua propriedade para observar os resultados, “pois somos nós que falamos dos resultados e do êxito do programa, que vivenciamos isso na própria carne”.

Antes e agora

Desde que recebemos o apoio do PROCAGICA, a mudança foi substancial, descreveu García.

“Antes, minha esposa me dizia que isso não era sequer uma propriedade rural, o café não engrossava, o grão era muito fino, ficava no quintal para o consumo, não dava para fazer polpa, porque era tão pequeno que passava pela despolpadora sem processar”, lembrou.

“Agora o grão conseguiu engrossar, está uniforme e pode ser aproveitado ao máximo. A matéria orgânica pura que se conseguiu alcançar produz um bom café”, destacou o beneficiário do PROCAGICA.

Assegurou que, como produtor, está aprendendo a realizar o desbaste das árvores dentro da propriedade, o plantio de barreiras vivas, com espada-de-são-jorge, yuca ou abacaxi, que ajudam os pés de café plantados na ladeira. “Antes o solo não tinha matéria orgânica, mas agora tem”, finalizou. 

O PROCAGICA é promovido pela UE e o IICA nos municípios de Marcala, Chinacla, Santa Maria e São José, no departamento de La Paz, Honduras. 

A implementação dos sistemas agroflorestais promovidos pelo programa contribui para a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos, bem como para a remoção de carbono, facilitando também a adaptação aos impactos da mudança e da variabilidade climática na região.