Fruticultura e Horticultura

RS: safra de uva em Linha Barbosa

Típica da região serrana do Rio Grande do Sul, a uva não é uma cultura comum em Venâncio Aires


Publicado em: 26/01/2022 às 10:00hs

RS: safra de uva em Linha Barbosa

Típica da região serrana do Rio Grande do Sul, a uva não é uma cultura comum em Venâncio Aires. No entanto, em Linha Barbosa, no 7º Distrito de Venâncio Aires, o parreiral na propriedade de Marcos Roberto Moraes, 40 anos, já virou referência para quem saboreou as uvas docinhas e suculentas.

A venda da fruta é direta para o consumidor e muitos fazem questão de ir até o local para um ‘colha e pague’. “Alguns já conhecem, são clientes de outros anos e gostam de vir colher. Por isso, a ideia não é vender para a indústria, que colhe tudo de vez, mas possibilitar que as pessoas possam vir até o parreiral, degustar e colher a uva para levar para casa”, explica Moraes.

A colheita iniciou na semana passada e deve encerrar neste fim de semana. Além de Moraes e da esposa Solange Inês Weber Moraes, 33 anos, a sogra Sirlei Weber, 65 anos, trabalha na produção. A lida acontece nos fins de tarde e nos fins de semana, já que o casal trabalha em indústrias, na área urbana do município. Enquanto ela é funcionária da Marasca, ele atua na Metalúrgica Venâncio.

O trabalho na agricultura é um complemento na renda do casal, que tem dois filhos: Breno, 7 anos, e Estela, 4 anos. No futuro, no entanto, deve se tornar a principal atividade da família. “Assim que conseguir fechar o tempo de carteira para me aposentar, a ideia é poder se dedicar a isso, às culturas a longo prazo que temos na propriedades. Também foi uma forma de envolver os sogros na produção, fazer algo que eles pudessem participar”, destaca.

O investimento na produção de uva começou em 2012, a partir de uma sugestão de um amigo de Caxias do Sul. A primeira aposta, na variedade Rubi, não deu certo. “Ela precisa ser produzida em estufa”, explica Moraes. A partir disso, a família investiu na Niágara Rosa e na Francesa Preta (a famosa uva preta de mesa) e buscou conhecimento técnico, com cursos na Serra Gaúcha, para qualificar a produção, que é totalmente sem agrotóxicos.

Em 2013, foram colhidos os primeiros cachos e, no ano passado, chegou-se ao pico da produção: duas toneladas de uva. A expectativa era que em 2022 se alcançasse três mil quilos, o que não foi possível por conta da estiagem. Por isso, a estimativa é de que sejam colhidos mil quilos, no parreiral de 200 pés, em um espaço de 800 metros quadrados. “A uva não requer chuva tão regular, mas a seca demais também interfere. No ano que vem, pretendemos irrigar”, comenta Moraes.

Técnicas

De acordo com o agricultor, um dos principais aspectos do cultivo da uva é a poda, realizada no inverno, em julho, projetando a colheita a partir do fim de dezembro ou início de janeiro. Ele explica que, a partir da poda, busca-se reduzir a quantidade de galhos em cada pé, o que garante que os cachos fiquem maiores e a fruta mais doce e suculenta. A média varia entre 25 a 30 cachos por pé. “Quanto mais perto do tronco, mais o cacho se desenvolve. Por isso, a importância da poda.”

Outra estratégia utilizada são roseiras plantadas próximo às videiras. Elas atuam como um defensivo natural. Antes dos fungos atacarem a videira, eles atacam primeiro a roseira, o que possibilita que se combata eles a tempo.

Diversificação e investimento a longo prazo

Além da uva, a família Moraes investe em outras culturas, na propriedade de 4,5 hectares em Linha Barbosa. Em quatro hectares, estão plantadas 400 nogueiras, sendo 80 já em produção. São sete tipos de noz pecã, cultura na qual a família investiu há 9 anos e há dois anos começou a produzir.

No ano passado, foram 500 quilos de nozes. O agricultor acredita que a falta de chuva irá refletir na produção deste ano. “A noz-pecã precisa de chuva regular. As árvores estavam bem carregadas, mas, com a falta de chuva, começaram a cair as frutas.”

Além de focar em uma cultura de verão (uva) e outra de inverno (noz-pecã), a família também investiu no feijão, cultura intermediária de ciclo curto. Uma estufa de morangos e 100 pés de pitaya também estão entre as apostas vislumbrando um futuro com produção diversificada.

Fonte: Agrolink

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